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terça-feira, 28 de abril de 2015

MORREU ABU. É SÓ MAIS UMA PROVOCAÇÃO


Faleceu hoje um dos nomes mais importantes do mundo artístico brasileiro, Antonio Abujamra.

Filósofo, jornalista, ator, diretor, escritor e apresentador de televisão, sob a direção de Gregório Bacic, Abu comandou nos últimos 15 anos o melhor programa de entrevistas da tv aberta do país, o Provocações apresentado na TV Cultura.

A sua morte deixa uma enorme lacuna na cultura brasileira, mas ao mesmo tempo oferece a sua inteligência e capacidade de reflexão e crítica diante do mundo para aqueles interessados em escapar do senso comum que, tragicamente, pauta boa parte da nossa sociedade analfabeta política e social.

Os Advogados para a Democracia se solidarizam com a família Abujamra nesse momento difícil deixando abaixo uma singela homenagem ao Abu.


 O que é a vida?

Ao certo não sei em qual desses dias irei
Aliás, esse não é privilégio meu
Todos nós iremos sem saber o momento em que definitivamente dormiremos ou acordaremos

O vento da noite e o vento do dia trazem o fim ou o simples recomeço
Certamente nos apresentam a dúvida que devemos idolatrar sempre solenemente

A dúvida é algo deliciosamente invisível e inebriantemente necessária
A certeza carece de sedução pois ela não tem qualquer imprevisibilidade
O imprevisível repouso eterno ou não é apenas mais uma provocação

A vida oferta a morte tranquila àqueles que como ela reverenciam o caminhar pelo incerto
A importância da palavra escrita ou falada sob luz baixa clareia o significado da existência

Se é difícil responder o que é a vida muito fácil é questionar o que a vida é 

Autor: Rodrigo Sérvulo da Cunha

terça-feira, 11 de junho de 2013

POLÍCIA INTIMA ZÉ CELSO A DAR DEPOIMENTO POR CONTA DE CENA DA PEÇA ACORDES

 

DO R7

O diretor do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, foi intimado pela Polícia Civil de São Paulo a comparecer nesta terça (11), às 17h, ao 23º Distrito Policial de Perdizes, bairro da zona oeste paulistana.
O motivo, segundo a intimação assinada pelo delegado Percival de Moura Alcantara Junior, é “elucidar os fatos e reconhecer atores de teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título ‘Decaptação do Papa na PUC’ na ‘Ocupação da Puc’ pela Democracia’".

Em novembro de 2012, Zé Celso e integrantes do Teatro Oficina participaram de uma manifestação de estudantes da PUC-SP contra a indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade, já que ela havia ficado em terceiro lugar na eleição — ela tomou posse em fevereiro deste ano. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era decaptado.

Segundo nota divulgada pela companhia teatral localizada na Bela Vista, bairro do centro paulistano, no ano de 2012 “os estuantes da PUC foram procurar os artistas do Oficina quando estávamos fazendo a peça Acordes, baseada em texto de Bertolt Brecht”.

Ainda de acordo com a nota enviada pelo Oficina, “os estudantes tinham ocupado a PUC e convidaram a Uzyna Uzona para participar de uma ação pela liberdade do ensino laico. Em Acordes havia uma cena em que um boneco, representando o Capitalismo, era despedaçado por dois Palhaços. A cena foi adaptada para a situação que a PUC estava passando e apresentada no evento promovido por estudantes e professores”.

Zé Celso comentou a intimação recebida em seu blog. Ele afirmou que “querer incriminar artistas de teatro por esta cena é um atentado à liberade de expressão do ator”. O diretor afirmou que o teatro é “o espaço da liberdade”. E lembrou de sua luta pela democracia e liberdade de expressão durante os anos de chumbo da ditadura militar.

— Nós das artes, que lutamos contribuindo para abolir a censura no Brasil durante a ditadura militar e ganhamos esta conquista não podemos recuar e aceitar a censura à nossa atividade [...] Este instrumento jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para  uma delegacia de polícia, é uma intimação contra a Constituição do Estado Democrático Laico no Brasil, a favor da reinstauração da censura, contra a qual tanto lutamos nos tempos da ditadura militar. É um atentado à arte, considerada como crime. Não desejo ser cúmplice deste crime por isso vou por a boca no trombone do mundo.

O R7 falou com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e também com a assessoria de imprensa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A assessoria da PUC afirmou: "Checamos a informação e a PUC-SP não abriu nenhum processo contra o diretor José Celso Martinez Corrêa".

Abaixo, a resposta da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo:

“Apuramos que, por requisição do Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi Batista.”

No começo do ano, a peça Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão judicial.
intimacao ze celso Polícia intima Zé Celso a dar depoimento por conta de cena de peça Acordes, do Teatro Oficina, em SP
Cópia da intimação policial recebida pelo diretor Zé Celso