DO R7
O diretor do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, foi intimado
pela Polícia Civil de São Paulo a comparecer nesta terça (11), às 17h,
ao 23º Distrito Policial de Perdizes, bairro da zona oeste paulistana.
O motivo, segundo a intimação assinada pelo delegado Percival de
Moura Alcantara Junior, é “elucidar os fatos e reconhecer atores de
teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título ‘Decaptação do
Papa na PUC’ na ‘Ocupação da Puc’ pela Democracia’".
Em novembro de 2012, Zé Celso e integrantes do Teatro Oficina
participaram de uma manifestação de estudantes da PUC-SP contra a
indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade, já que
ela havia ficado em terceiro lugar na eleição — ela tomou posse em
fevereiro deste ano. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça
Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era decaptado.
Segundo nota divulgada pela companhia teatral localizada na Bela
Vista, bairro do centro paulistano, no ano de 2012 “os estuantes da PUC
foram procurar os artistas do Oficina quando estávamos fazendo a peça
Acordes, baseada em texto de Bertolt Brecht”.
Ainda de acordo com a nota enviada pelo Oficina, “os estudantes
tinham ocupado a PUC e convidaram a Uzyna Uzona para participar de uma
ação pela liberdade do ensino laico. Em
Acordes havia uma cena
em que um boneco, representando o Capitalismo, era despedaçado por dois
Palhaços. A cena foi adaptada para a situação que a PUC estava passando e
apresentada no evento promovido por estudantes e professores”.
Zé Celso comentou a intimação recebida em seu
blog.
Ele afirmou que “querer incriminar artistas de teatro por esta cena é
um atentado à liberade de expressão do ator”. O diretor afirmou que o
teatro é “o espaço da liberdade”. E lembrou de sua luta pela democracia e
liberdade de expressão durante os anos de chumbo da ditadura militar.
— Nós das artes, que lutamos contribuindo para abolir a censura no
Brasil durante a ditadura militar e ganhamos esta conquista não podemos
recuar e aceitar a censura à nossa atividade [...] Este instrumento
jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para uma delegacia
de polícia, é uma intimação contra a Constituição do Estado Democrático
Laico no Brasil, a favor da reinstauração da censura, contra a qual
tanto lutamos nos tempos da ditadura militar. É um atentado à
arte, considerada como crime. Não desejo ser cúmplice deste crime por isso vou por a boca no trombone do mundo.
O
R7 falou com a assessoria da Secretaria de
Segurança Pública de São Paulo e também com a assessoria de imprensa da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
A assessoria da PUC afirmou: "Checamos a informação e a PUC-SP não
abriu nenhum processo contra o diretor José Celso Martinez Corrêa".
Abaixo, a resposta da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo:
“Apuramos que, por
requisição do
Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o
fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal:
‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função
religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso;
vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado
que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi
Batista.”
No começo do ano, a peça
Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi
proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão judicial.
Cópia da intimação policial recebida pelo diretor Zé Celso