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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
30 ANOS DO MST E O ÓDIO DA MÍDIA
Na semana passada, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST, completou 30 anos de lutas. A mídia “privada” – nos dois sentidos da palavra – simplesmente omitiu este importante acontecimento histórico. Alguns jornais, como o oligárquico Estadão, que nasceu vendendo anúncios de trabalho escravo no século retrasado e sempre foi um raivoso inimigo das mobilizações sociais, até publicou um editorial com seus velhos ataques ao MST. Já a impressa alternativa, com seus escassos recursos – o governo prefere bancar anúncios na mídia ruralista –, procurou destacar a prolongada e vitoriosa trajetória deste movimento civilizador e discutir com seriedade os seus futuros desafios.
Vale destacar a entrevista de João Pedro Stédile aos jornalistas Igor Carvalho e Glauco Faria, da revista Fórum Digital. Como lembram os autores, há várias razões para festejar o aniversário. “Com presença em 23 estados, além do Distrito Federal, e com mais 900 assentamentos que abrigam 150 mil famílias, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra completou 30 anos nesta semana. Criado em um encontro nacional que reuniu 80 trabalhadores do campo em Cascavel, no Paraná, em janeiro de 1984, o movimento já realizou, ao longo de sua história, mais de 2,5 mil ocupações, acumulando duas mil escolas instaladas em assentamentos, além de outras conquistas como acesso a crédito para a produção”.
Na entrevista, o integrante da coordenação nacional do MST faz um balanço do movimento e aponta os desafios futuros da luta pela reforma agrária no Brasil. João Pedro Stédile afirma que preciso atualizar esta bandeira, em decorrência das mudanças ocorridas no campo nos últimos anos. “O capital está adotando um modelo de exploração da agricultura que se chama agronegócio. Nesse modelo, há uma nova aliança das classes dominantes, que aglutina grandes proprietários, empresas transnacionais e a mídia burguesa. Eles usam todos os seus instrumentos, como o Poder Judiciário e o Congresso, para defender sua proposta, desmoralizar a reforma agrária e toda luta social no campo”.
“Houve uma mudança nos últimos anos em nosso programa agrário e construímos o que chamamos de proposta de reforma agrária popular. No período anterior, dominado pelo capital industrial, havia a possibilidade de uma reforma agrária do tipo clássico, que representava democratizar a propriedade da terra e integrar o campesinato nesse processo. Porém, agora a economia mundial é dirigida pelo capital financeiro e internacionalizado. No campo, esse modelo implementou o agronegócio, que exclui e expulsa os camponeses e a mão de obra do campo. Agora, não basta apenas distribuir terra, até porque o processo em curso é de concentração da propriedade da terra e desnacionalização”.
Stédile também critica o atual ritmo das desapropriações de terra. “No governo Dilma, esse processo está totalmente paralisado, fruto de uma correlação de forças mais adversa, pela base social e política que compõe o governo, e por uma incompetência operacional impressionante dos setores que atuam no governo”. Para ele, a luta pela terra passa hoje, mais do que nunca, por mudanças políticas profundas no país. Ele defende a urgência da reforma política, com o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, e o fim do monopólio dos meios de comunicação. Sem superar estes entraves, entre outros, a reforma agrária não avançará no país.
Na próxima semana, mais de 15 mil lideranças sem-terra estarão reunidas em Brasília num congresso que definirá os próximos passos da luta pela reforma agrária e por mudanças políticas no país. A mídia “privada”, que até agora fez silêncio quase absoluto sobre os 30 anos do MST, até poderá noticiar o evento. Mas tende a seguir a linha reacionária do editorial do Estadão publicado na última terça-feira (21). Para o jornalão, que não esconde seus vínculos com os ruralistas, o movimento “se depara com uma crise muito séria de identidade” e tende a sumir. O editorial elogia o agronegócio, “a galinha dos ovos de ouro da economia nacional”, e condena o “viés ideológico”, socialista, do MST.
Na prática, o texto confirma a tese de Stédile de que a reforma agrária só avançará no país com o fim do latifúndio da mídia.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
PARA ESPECIALISTA, DECISÃO DO STF SOBRE MENSALÃO É 'DE RASGAR CONSTITUIÇÃO'
Da Rede Brasil Atual
“Cada poder tem seu lugar, STF não pode legislar”. A rima é de integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), que esteve presente no debate “O Estado de Direito, a Mídia e o Judiciário: Em pauta a Ação Penal 470”, que ocorreu ontem (17) no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo e reuniu jornalistas e especialistas da área jurídica. Para eles, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de cassar os mandatos dos deputados condenados no julgamento da Ação Penal 470, o mensalão, representa uma “afronta à Constituição”.
Os
juristas Pedro Serrano e Carlos Langroiva, especialistas nas áreas de
Direito constitucional e Direito penal, respectivamente, contribuíram
para a discussão sob a ótica jurídica do julgamento. Para Serrano,
todas as sessões do Supremo em torno do tema representaram uma sequência de erros. “Foi uma catástrofe. Houve erros
de fundamentação, já que a doutrina do domínio do fato foi usada
erroneamente, e erros de coerência. A jurisprudência tem seu lugar.
Juízes não foram coerentes ao decidir pela cassação dos mandatos
dos deputados.”
Para
ele, a decisão do Supremo é um desrespeito aos cidadãos. “A
decisão feita hoje é de rasgar a Constituição. Cabe à Câmara ou
ao Senado cassar o mandato dos deputados. O que foi feito no tribunal
hoje é uma irresponsabilidade. É um desrespeito à cidadania, e
ainda com o apoio massivo da mídia. É um desrespeito à Constituição Federal.”
A
transmissão ao vivo das sessões do STF pela televisão configura
uma grande falha na área do Direito Penal, argumenta Langroiva.
“Virou sessão da tarde, as pessoas ligam a TV de tarde, como antes
faziam para ver novela, filmes, e assistem à sessão do STF. A
divulgação como se deu do mensalão não deve acontecer na área
penal, a vida das pessoas não pode ser devastada neste sentido.”
De acordo com ele, o STF trabalhou com elementos que não são naturais no Direito. “O
princípio básico da imparcialidade na análise dos fatos foi ferido
quando a análise começou pela acusação.”
Além disso, o princípio da presunção da inocência não foi respeitado, segundo Langroiva. “Quem acusa, no processo penal, é quem deve provar suas acusações, e não a defesa que deve provar sua inocência. E não foi o que aconteceu no julgamento da Ação Penal 470. Houve presunção de culpa, coube à defesa provar o que era ou não verdadeiro.” Para ele, a flexibilização da apresentação de provas retrata um verdadeiro escândalo na área criminal. “O Direito Penal lida com nosso bem máximo, a liberdade”.
Para
o jornalista Raimundo Pereira, diretor editorial da revista Retrato do Brasil e co-autor do livro A outra tese do mensalão, o julgamento deveria ser
anulado. Segundo ele, a tese central sustentada pela Procuradoria Geral da República, que é o desvio de
dinheiro do Banco do Brasil, não foi provada. “A materialidade do
crime não foi provada. Na Idade Média era assim, pegava-se a bruxa,
e depois de um tempo ela confessava um crime, mesmo que não
existisse, não era necessário que se provasse sua materialidade.”
O
jornalista Paulo Moreira Leite, colunista da revista Época, afirmou que o caso não é apenas
jurídico, mas sim político, e fez uma analogia com o golpe de 1964 no Brasil. “Vivemos hoje algo parecido, porque com o
governo federal de Lula e Dilma, houve melhorias em vários níveis,
com melhor distribuição de renda. Para muitos isso é insuportável.
A brecha que se encontra então é a criminalização, todo dia nos
jornais há uma espécie de delação premiada. É uma tentativa de retrocesso.”
Sobre a cassação
dos mandatos dos deputados, Moreira Leite caracterizou a decisão do
STF como um erro que será demorado de corrigir. “Essa
'porrada' é grande. Não sei o que o Congresso Nacional fará, nem
os movimentos populares. Mas os erros são demorados para serem
corrigidos. Na política, o erro se reproduz e se sedimenta.”
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ADVOGADOS PARA A DEMOCRACIA
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