domingo, 31 de janeiro de 2016

TEATRO OFICINA PEDE SOCORRO


À Presidenta Dilma Roussef, ao Prefeito Fernando Haddad e à Silvio Santos: Transformem a Terra do Entorno ao Teatro Oficina em TERRA PÚBLICA/CULTURAL 

Estamos ameaçados pela construção de torres residenciais que massacram o Teat(r)o Oficina, seu entorno e o bairro do Bixiga. A mesma invasão que tem vigorado na nossa cidade e principalmente nos territórios indígenas: a reintegração da propriedade privada em cima dos posseiros que concretamente cultivam e trabalham xamanicamente, na possessão, a Terra. 
A arquitetura urbana e cênica de AchiLina Bo Bardi, inspirada na geografia da natureza fertilíssima do entorno, o último vazio respirante do centro de São Paulo, viu a ligação de seu projeto, do Teat(r)o Oficina com o Anhangabaú verde, a mesma do fluxo do rio do Bixiga em direção ao rio Anhangabaú. Daí o nome de Anhangabaú da Feliz Cidade para o entorno. 

O Teat(r)o Oficina encarna a mais antiga e re-existente luta cultural contra a sufocação da especulação imobiliária na cidade de Sampã. Através da Arte Tea(r)al, CosmoPolítica Ritual: Ritos Teatrais do Oficina Uzyna Uzona criados com a atuação do Público de inumeráveis gerações, tornando-as terras libertas do martírio secular da especulação imobiliária. Que venha uma mutação de apoteoses!  
A Terra é ainda um Ser Vivo!  

sábado, 23 de janeiro de 2016

MORRE JOÃO BAPTISTA BREDA! HERÓI, PORRA!


Morreu hoje aos 78 anos João Baptista Breda, o Breda, médico psiquiátrico e ex-deputado estadual do PT. Seu corpo está sendo velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Após um curto velório que começou às 16h, seu corpo irá para sua cidade natal, Itapira, onde será enterrado como um dos filhos mais queridos e amados dessa cidade.

Eleito por Itapira como deputado estadual pelo MDB, filiou-se ao PT recém-criado em 1979 e fez parte de sua primeira bancada de deputados estaduais. 

Estava junto de Eduardo Suplicy, Irma Passoni, Geraldinho Siqueira, Marco Aurélio Ribeiro e Sergio dos Santos, seis deputados que compuseram a primeira bancada do Partido dos Trabalhadores.
Mas por que esse moço veio com uma votação tão impressionante de Itapira e é tão querido até hoje?
Por causa de seu trabalho na Luta Antimanicomial.

Ele colocou Itapira diante dos olhos do Brasil fazendo a luta antimanicomial e a reforma psiquiátrica. Foi uma das maiores contribuições no Estado de São Paulo, onde ele vislumbrava precocemente a necessidade de se acabar com a tortura, os eletrochoques nos manicômios.

Coordenou na Câmara Municipal durante 2 anos (89 e 90) as investigações que Suplicy na presidência fazia o maior processo de corrupção jamais visto originário no período militar.

Amigo de Carlito Maia e Suplicy, seus amigos inseparáveis era um entusiasmado pelo PT e pelo MST.

Conviveu com Henfil e com todos os artistas que organizaram o fim da ditadura.

Com seu consultório de psiquiatria na praça da Republica, nunca deixou de atender ninguém.

Exemplo de humanismo, solidariedade, amizade, corajoso, educado, erudito, nunca fraquejou, exemplo de conduta.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

"2015 ENTRA PRA HISTÓRIA COMO O ANO QUE NÃO EXISTIU PARA A REFORMA AGRÁRIA", AFIRMA DIRIGENTE


Do MST

Um ano em que o governo federal virou as costas para todos aqueles que lutam contra o latifúndio, o agronegócio e os direitos da classe trabalhadora no Brasil. É assim que, Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, avalia 2015.

Em entrevista para a Página do MST, Conceição fala sobre a escolha de lado do governo Dilma ao travar o processo de desapropriações e demarcações de terra.

Para ele, "o pagamento de juros aos bancos e o superávit primário foram as escolhas do governo Dilma, faltou compromisso com a Reforma Agrária".

Sobre as perspectivas de luta para o próximo período, Conceição afirma que o Movimento continuará na luta pela defesa aos direitos do trabalhador do campo e da cidade e contra todo e qualquer tipo de retrocesso e cerceamento de direitos.

"O ano de 2015 foi de intensas lutas pela terra, de grandes jornadas de lutas contra o retrocesso e contra uma política econômica recessiva e neoliberal. Chegamos ao final do ano com um saldo organizativo muito positivo e por isso, buscaremos cada vez mais a unidade das organizações do campo com o conjunto dos movimentos do campo de da cidade, para fortalecer a luta contra a retirada de direitos e as reformas neoliberais", afirma.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

O número de 26.235 famílias assentadas, segundo relatório, estão bem aquém do número prometido pela presidenta no início de seu mandato, qual a razão para isso?
O ano de 2015 entra para a história como o ano que não existiu para a Reforma Agrária. Mais 12 meses se passaram e o governo Dilma segue liderando entre os piores nessa pasta. Nenhum decreto que favoreça a destinação de áreas para assentar as famílias Sem Terra foi assinado em 2015.  Seu compromisso de assentar as famílias acampadas até o final do seu mandato, foi deixado de lado para que seu governo priorizasse a política recessiva do ajuste fiscal, que foi agravado no último ano com a crise política.  Pouco mais de duas mil famílias foram assentadas em decretos de 2013, o que demonstra que o governo não enfrenta a concentração de terra, o latifúndio e o agronegócio depredador. O pagamento de juros aos bancos e o superávit primário foram as escolhas do governo Dilma, faltou compromisso com a Reforma Agrária.

A instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deixa clara essa falta de compromisso do governo?
A CPI foi criada sem nenhum objeto concreto, ou seja, as investigações estão sendo feitas por qualquer coisa. Esse processo é inconstitucional, inclusive o procurador-geral da República,  Rodrigo Janot, já se pronunciou contrário a essa CPI. Essa é uma também uma iniciativa de criminalização dos movimentos sociais, sobretudo indígenas e quilombolas, o que corrobora com a estratégia do agronegócio de legitimar a PEC 215 que transforma terras em mercadoria.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abandonou programas muito bons do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que envolviam entrega simultânea para entidades urbanas; houve cortes de recursos para a Ates (Assistência Técnica aos Assentados), e os recursos do  Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) já não são suficientes, o quanto isso é prejudicial para a Reforma Agrária no Brasil, em especial para as famílias já assentadas?
Não houve cortes no Pronera, mas os valores atuais do programa já não atendem a demanda geral dos cursos nas universidades. Quanto ao PAA é lamentável. Infelizmente as medidas que foram criadas no governo anterior e que contribuíram para avançar na produção de alimentos saudáveis nos assentamentos e na agricultura familiar, passaram pela tesoura dos cortes de Levy e,  hoje,  atendem menos do que em anos anteriores. Na assistência técnica também não houve avanços, apesar de recém-criada a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), já é invisibilizada pelo Incra. A habitação rural também foi deixada de lado pelo governo. Essa foi uma das grandes lutas de 2015, realizamos ocupações no Ministério das Cidades para pautar essa demanda, nos foi prometida a construção de 12 mil casas rurais que até agora não saíram do papel.

As poucas conquistas que ocorreram foram fruto de muita mobilização e pressão social. Essa será a linha que o Movimento seguirá em 2016?
Todos os assentamentos e políticas públicas criadas pelos governos são sempre fruto de muitas lutas e 2016 não será diferente. O ano de 2015 foi de intensas lutas pela terra, de grandes jornadas de lutas contra o retrocesso e contra uma política econômica recessiva e neoliberal. Chegamos ao final do ano com um saldo organizativo muito positivo e por isso, buscaremos cada vez mais a unidade das organizações do campo com o conjunto dos movimentos do campo de da cidade, para fortalecer a luta contra a retirada de direitos e as reformas neoliberais.

Qual a avaliação do Movimento sobre atuação do Congresso Nacional, em especial na Câmara dos Deputados, durante 2015?

O Congresso Nacional foi uma das grandes vergonhas do ano que passou. São raros os parlamentares que tem compromisso com o Brasil e com o povo, a ampla maioria, liderada pelo presidente da câmara, o deputado Eduardo Cunha, só está interessada em seu próprio umbigo. Essa ditadura ''em nome de Deus', que ele representa, vem causando muitos estragos à democracia e aos direitos dos trabalhadores . Logo, lutamos pelo fora Cunha, contra o golpe e em defesa da democracia, pelo fim do financiamento privado das campanhas e pelas mudanças estruturais que nosso pais precisa para avançar. 

CONTRA A VIOLÊNCIA DO ESTADO


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DECLARAÇÃO DE REPÚDIO DAS MÃES DA PRAÇA DE MAIO

Declaração em repúdio ao ataque perpetrado
contra a sede de Rádio AM 530

As mães da praça de maio linha fundadora repudiamos com toda nossa força o ataque perpetrado, na noite de quarta-feira, 30 de dezembro passado, contra a sede da Rádio AM 530, da Associação Mães da Praça de Maio, dirigida por Hebe de Bonafini.
 
Atirar ovos contra a fachada da rádio com a intenção de infamar e a tentativa de penetrar nessa sede é próprio de covardes que, apoiados sempre ao abrigo do poder repressivo, sob o governo que for, tentam reviver práticas próprias da ditadura. Há aqueles que lamentam o fim da última ditadura cívico-clerical-militar, e quando podem se expressam com ações repressivas contra aqueles que lutaram incansavelmente contra ela.

Todas as mães e pais nos sentimos atacadas(os). Todas as mães e pais continuaremos como até agora, em obediência aos nossos princípios fundadores, procurando verdade e justiça através da memória.

Mães da praça de maio linha fundadora
     Buenos Aires, Janeiro de 2016

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

CONSTRUAMOS A MÁQUINA!

"Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública."

 Anísio Teixeira

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

NOTA DE REPÚDIO À SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO


Manifesto de repúdio à nota da Secretaria de Segurança Pública sobre o protesto dos estudantes secundaristas.

Diante do envio de uma Nota à Imprensa pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), no dia 10 de dezembro de 2015, com o objetivo evidente de criminalizar, desmoralizar
e intimidar os apoiadores e estudantes secundaristas do protesto organizado por esses, na noite do dia 09 de dezembro, as organizações, coletivos e pessoas que subscrevem esse manifesto vem publicamente repudiar a Nota da SSP e denunciar a sistemática violação aos direitos humanos que tem sido cometida pela Policia Militar de São Paulo contra os estudantes secundaristas e seus apoiadores nas últimas semanas.

É absolutamente inaceitável que 27 anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988, a qual veio para garantir a plena liberdade de expressão, direito à manifestação, direito de reunião e direitos políticos básicos, um órgão público do Estado abuse de sua autoridade para intimidar e criminalizar cidadãos ao apontar em sua nota que manifestantes de "partidos políticos", da APEOESP e com camiseta da "Juventude Comunista" seriam grupos com “clara motivação política e criminosa”.

Isso quer dizer que ter uma opção politico-ideológica ou apoiar manifestações por um ensino de qualidade nas escolas publicas é crime? É essa a Guerra do governador, que segue na estratégia de desmoralizar para desorganizar o movimento secundarista? Vale lembrar que tal declaração vem em um contexto em que diversas ações violentas do aparato do Estado de São Paulo, amplamente noticiadas pela mídia, tem sido praticadas pela polícia contra os estudantes, com o único fim de desmobilizar sua organização. Tal perseguição politico-ideológica remete aos tempos da Ditadura civil-militar (1964-1985) e DEVE SER ABOLIDA de um sistema supostamente democrático.
 
Necessário esclarecer e tornar público que estamos diante de parte estratégica do plano de Guerra de Informações anunciada pelo Governo do Estado, em áudio vazado de dentro da Secretaria de Educação, contra a luta dos estudantes, tratados como “inimigos” a serem desmoralizados, desmobilizados, abatidos. Durante o protesto do dia 09 de dezembro houve um total de 10 detidos e inúmeros feridos por socos, estilhaços de bomba da PM, spray de pimenta, cassetete, havendo inclusive relato de um jornalista segundo o qual a PM disferiu tiros de arma de fogo para o alto, causando pânico nas pessoas ao redor.

Nos boletins de ocorrência constam apenas as acusações feitas pelos policiais militares, os depoimentos das testemunhas e os interrogatórios dos detidos foram propositalmente ignorados nos BO’s. As acusações são por supostos crimes de desobediência e desacato. A desobediência foi imputada a estudantes que corriam das bombas atiradas pela polícia e apoiadores que apenas estavam voltando para suas casas. A arbitrariedade é clara.

Não por acaso, as acusações por desobediência e desacato são típicas de regimes ditatoriais em que a única prova é a palavras do policial que abusa da sua autoridade para intimidar e prender, mesmo quando há vídeos e testemunhas que comprovam não ter havido crime algum, como foi o caso dos 10 detidos na noite da manifestação. Pura intimidação policialesca contra um direito constitucional dos estudantes, o direito de lutar pelo direito à educação.

Brasil é um dos últimos países que seguem prevendo desacato como crime, situação já repudiada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ONU, por ser um atentado à liberdade de expressão. É necessário denunciar que o Estado se vale da figura do crime de desacato para inviabilizar o direito dos estudantes de se manifestar. Isso tudo se agrava no atual contexto, no qual desde o dia 1/12, a imputação de tal delito vem sendo utilizada para legitimar apreensões absolutamente ilegais – as abomináveis prisões para averiguação de adolescentes nos protestos, com relatos de agressões físicas e ameaças, relatos estes com acompanhamento realizado pelo Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Além de repudiar especificamente as acusações infundadas da Secretaria de Segurança Pública, que caem por terra pelos boletins de ocorrências lavrados por seus próprios órgãos, os quais não registraram crimes de dano ao patrimônio público ou crimes de lesão corporal contra os estudantes detidos, também se repudia aqui a recorrente violência policial e cometimento de arbitrariedades para reprimir o direito de protesto que já foram objeto de denúncia internacional. 

Esse cenário ressalta o quanto o suposto Estado Democrático de Direito em que vivemos se mostra como um Estado de Exceção permanente contra aqueles que se dispõe a exercer a luta por direitos. A Secretaria de Segurança Pública assume postura pública típica do período de Ditadura Civil-Militar, criticada até mesmo pela própria Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo.
 
Existe um projeto político claro em andamento de combate ao “inimigo interno” da (in)segurança pública, a bola da vez, os estudantes como a caracterização atual do povo tratado como questão de polícia, os estudantes como os novos “inimigos do Estado”. Esse modelo de (in)segurança pública é herdado de uma construção histórica de repressão aos movimentos populares, desde “Canudos”, passando pelos operários grevistas e chegando hoje à resistência dos estudantes secundaristas: a questão social continua sendo caso de polícia. Cada passo contra as arbitrariedades e ilegalidades do Estado é importante para combater esse cenário de violações constantes e sistemáticas aos direitos humanos. Só assim seguiremos avançando no aprofundamento das conquistas das lutas sociais, contra as quais a repressão policial e do Estado voltam sua nova estratégia de Guerra de Informações: reprimir com a força, de um lado, desmoralizar com contrainformações, por outro, visando desmobilizar os estudantes em luta. A luta destes, porém, segue como grande educadora e norte para o futuro. Os estudantes, hoje, dão a melhor aula de democracia.

Assinam esse Manifesto:
GAS - GRUPO AUTÔNOMO DE SECUNDARISTAS
COMITÊ MÃES E PAIS EM LUTA
AÇÃO EDUCATIVA
AMPARAR - ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS E FAMILIARES DE PRESOS/AS
APG - USP/CAPITAL - ASSOCIAÇÃO DE PÓS-GRADUAND@S HELENIRA "PRETA" REZENDE
APROPUC - ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DA PUC-SP
ARTIGO 19
ASBRAD - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DA MULHER DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO - ASDPESP
CAF - CENTRO ACADÊMICO DE FILOSOFIA DA USP
CDHS - CENTRO DE DIREITOS HUMANOS SAPOPEMBA
CEDECA/DF - CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DO DF
CENTRO DE ASSESSORIA POPULAR MARIANA CRIOLA
CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE - CMI-SP
CENTRO GASPAR GARCIA DE DIREITOS HUMANOS
COADE - COLETIVO ADVOGADOS PARA A DEMOCRACIA
COLETIVO DE GALOCHAS
COLETIVO MALUNGO
COMBOIO
COMITÊ PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA E DA POLÍTICA - SP
CONECTAS DIREITOS HUMANOS
CPECC - CENTRO DE PESQUISA E EXTENSÃO EM CIÊNCIAS CRIMINAIS
CRESS/SP - CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL DE SP
DAR - COLETIVO DESENTORPECENDO A RAZÃO
DEPARTAMENTO JURÍDICO XI DE AGOSTO
EMANCIPA
FRENTE CHEGA DE ASSÉDIO
GRUPO PARLENDAS
IBCCRIM - INSTITUTO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS CRIMINAIS
INSTITUTO ALANA
INSTITUTO PRÁXIS DE DIREITOS HUMANOS
INTERVOZES
ITTC - INSTITUTO TERRA, TRABALHO E CIDADANIA
JUNTOS
JUSTIÇA GLOBAL
KIWI COMPANHIA DE TEATRO
LABORATÓRIO PSICANÁLISE E SOCIEDADE - INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA USP
MÃES DE MAIO
MÃES DO CÁRCERE
MAL EDUCADO
MARGENS CLÍNICAS
MMM - MARCHA MUNDIAL DE MULHERES
MOVIMENTO PASSE LIVRE - MPL-SP
NÚCLEO DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DE MARÍLIA - NUDHUC/UNESP
NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISA PSICANÁLISE E POLÍTICA - FACULDADE DE PSICOLOGIA DA PUC-SP
NÚCLEO ESPECIALIZADO DE CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO - NCDH
NÚCLEO ESPECIALIZADO DE INFÂNCIA E JUVENTUDE DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO - NEIJ
NÚCLEO ESPECIALIZADO DE SITUAÇÃO CARCERÁRIA DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO - NESC
OUVIDORIA DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO
PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL
PROMOTORAS LEGAIS POPULARES
REDE 02 DE OUTUBRO
REDE NACIONAL DE ADVOGADAS E ADVOGADOS POPULARES - RENAP
TRIBUNAL POPULAR
UNIÃO DE MULHERES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

CNV: UM ANO DEPOIS, TUDO COMO DANTES


No dia 10 de dezembro de 2014 a presidenta Dilma Rousseff recebeu em cerimônia aberta realizada no Palácio do Planalto, na presença de alguns convidados e de muitos jornalistas, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV). 

O documento, que consiste de milhares de páginas espalhadas em vários volumes, oferece uma visão aprofundada da Ditadura Militar, das estruturas repressivas e das atrocidades que cometeu. E elenca vinte e nove recomendações ao Estado brasileiro, de medidas cuja finalidade é sanar graves injustiças que ainda perduram no país, bem como suprimir certas legislações e aparatos estatais que, herdados do período ditatorial, continuam em vigor até hoje.
Um ano depois da entrega do relatório final, cabe perguntar quais recomendações da CNV foram acatadas pelo governo brasileiro, se as medidas sugeridas foram implantadas ao menos parcialmente, se o Executivo passou a conceber em outros termos as questões relativas à Memória, à Verdade e à Justiça. Porém, por desgraça, não será preciso dissertar longamente a respeito. A dura realidade é que o governo decidiu engavetar o relatório final da CNV e fazer ouvidos moucos a tudo que a comissão recomendou. Como disse o ministro Aloisio Mercadante, quando na Casa Civil: “Esse assunto já nos criou muitos problemas”.

Retrocessos graves ocorreram de lá para cá. Em maio de 2015, honras militares e de Estado foram prestadas à memória do general Leônidas Pires Gonçalves — torturador identificado como tal pela CNV — com a conivência do então ministro da Defesa, Jacques Wagner. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) perdeu seu status ministerial. A Câmara dos Deputados prepara-se para votar novamente a “Lei Antiterrorismo”, proposta pelo Executivo e que representa dura ameaça aos movimentos sociais. Por fim, em paralelo a tudo isso, em diferentes pontos do Brasil as Polícias Militares continuam a perpetrar chacinas em série, sem que o governo federal se pronuncie a respeito.

Os fatos sucintamente relatados no parágrafo anterior chocam-se com as recomendações da CNV, que constam da Parte V, Capítulo 18 do Relatório Final. Basta uma simples leitura dessas recomendações para entender que são medidas cruciais, condições para a verdadeira democratização do nosso país. Contudo, o governo as declarou natimortas, ainda no mandato anterior, por considerá-las “problemas”. Por uma questão de espaço, citaremos apenas algumas, entre as que nos parecem fundamentais:

— [1] “Reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade institucional pela ocorrência de graves violações de direitos humanos durante a Ditadura Militar (1964 a 1985)”. Medida autoexplicativa. Relatório final, p. 964.

— [2] “Determinação, pelos órgãos competentes, da responsabilidade jurídica. 
– criminal, civil e administrativa – dos agentes públicos que deram causa às graves violações de direitos humanos ocorridas no período investigado pela CNV, afastando-se, em relação a esses agentes, a aplicação dos dispositivos concessivos de anistia inscritos nos artigos da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, e em outras disposições constitucionais e legais”. Trocando em miúdos, a CNV recomenda ao governo a anulação da Lei da Anistia de 1979, de modo a fazer cessar a impunidade dos torturadores, militares e civis. Ela cita expressamente, na fundamentação dessa proposta, a decisão tomada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) sobre a matéria, em 2010, ao julgar apelo referente aos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia (“Caso Lund”). Relatório final, p. 966.


—[12] “Dignificação do sistema prisional e do tratamento dado ao preso”. Proposta autoexplicativa. Relatório final, p. 969.


— [18] “Revogação da Lei de Segurança Nacional” (LSN). A atual LSN, que é a Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983, reflete as concepções doutrinárias que prevaleceram no período 1964-1985. Relatório final, p. 971.

— [20] “Desmilitarização das polícias militares estaduais”. Diz a CNV: “A atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da Ditadura Militar, que restou inalterada na estruturação da atividade de segurança pública fixada na Constituição brasileira de 1988. Essa anomalia vem perdurando [...]. Torna-se necessário, portanto, promover as mudanças constitucionais e legais que assegurem a desvinculação das polícias militares estaduais das Forças Armadas e que acarretem a plena desmilitarização desses corpos policiais, com a perspectiva de sua unificação em cada Estado”. Relatório final, p. 971.

— [21] “Extinção da Justiça Militar Estadual” e [22] “exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal”. Explica a CNV: “A desmilitarização das polícias estaduais deve implicar a completa extinção dos órgãos estaduais da Justiça Militar ainda remanescentes. Reforma constitucional deve ser adotada com essa finalidade, resultando na previsão unicamente da Justiça Militar federal, cuja competência, conforme ressaltado no item subsequente, deverá alcançar apenas os efetivos das Forças Armadas”. Relatório final, p. 972.

— [26] “Estabelecimento de órgão permanente com atribuição de dar continuidade às ações e recomendações da CNV”. A comissão, que se extinguiu em dezembro de 2014, avalia que as perspectivas abertas com seu trabalho e o grande volume de informações colhidas “indicam a conveniência de estabelecimento de um órgão de seguimento com funções administrativas, com membros nomeados pela Presidência da República, representativos da sociedade civil, que, em sintonia com órgãos congêneres já existentes, como o CNDH [Conselho Nacional dos Direitos Humanos], a CEMDP [Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos] e a Comissão de Anistia, deverá dar sequência à atividade desenvolvida pela CNV”. Relatório final, p. 973.

— [27] “Prosseguimento das atividades voltadas à localização, identificação e entrega aos familiares ou pessoas legitimadas, para sepultamento digno,
dos restos mortais dos desaparecidos políticos”.
Proposta autoexplicativa, sabendo-se que a imensa maioria dos desaparecidos políticos permanece não localizada. Relatório final, p. 974.

— [29] “Prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura
dos arquivos da Ditadura Militar”.

Salto de qualidade

As dez medidas ou iniciativas propostas acima, caso adotadas pelo governo, representariam um salto de qualidade em relação ao cenário atual, tanto no tocante à luta contra a impunidade dos que cometeram crimes a serviço da Ditadura Militar, e à luta por verdade e memória, quanto no enfrentamento e superação das gravíssimas violações de direitos humanos que são praticadas cotidianamente: extermínio de jovens negros e pobres, extermínio de povos indígenas, violências policiais, torturas praticadas por agentes públicos e tantas outras.

Uma das raras recomendações da CNV que se materializaram no período foi a [25]: “Introdução da audiência de custódia, para prevenção da prática da tortura e de prisão ilegal”. Um passo notável, sem dúvida, mas totalmente insuficiente. A criação de um órgão permanente para dar seguimento às investigações da CNV (recomendação 26) chegou a ser aventada na antiga SDH, naufragando em meio à recomposição ministerial e ao rebaixamento da pasta.

É uma tragédia que, em dezesseis anos de mandatos democrático-populares, os governantes eleitos e seus ministros tenham enxergado e conduzido a questão da Ditadura Militar e da chamada “segurança pública” com os olhos da classe dominante.

A pequenez e a mediocridade dos que veem apenas “problemas” no acerto de contas entre a sociedade brasileira e a Ditadura Militar colocaram o Brasil na deplorável situação de retardatário entre as nações da América Latina que buscaram rever o passado. O Chile, não obstante a autoanistia dos militares, mantém encarcerados mais de uma centena de altos oficiais implicados em crimes durante a ditadura de Augusto Pinochet, e o ditador argentino general Rafael Videla, genocida confesso, morreu preso.

Nós que lutamos por Memória, Verdade e Justiça continuaremos batalhando para superar este estado de pusilanimidade institucional e para que as recomendações da CNV sejam cumpridas pelo governo. Continuaremos a exigir que as Forças Armadas abram seus arquivos ao invés de sonegá-los e escamoteá-los. Continuaremos denunciando e incomodando aqueles que se negam a exercer a plenitude do poder civil. Continuaremos lutando pela punição dos que cometeram crimes em nome e a serviço da Ditadura Militar e dos que financiaram a repressão e as torturas.

Não haverá democracia no Brasil enquanto não forem punidos os crimes da Ditadura Militar. E não é aceitável que, a cada quatro anos, o horizonte dessa punição se torne mais distante do que nunca. A cada mãe de desaparecido político que morre, somos lembrados da enorme iniquidade que nos oprime e asfixia. Que parece zombar de nós, a dizer: “Nada mudará! Os torturadores venceram ontem e vencerão hoje e amanhã!”.

Pois estamos aqui para contestar. Para dizer não à morte e à covardia. No Dia em que se comemoram os Direitos Humanos, 10 de dezembro, estamos aqui para reafirmar: lutaremos, hoje e sempre.

Não ao golpe!

Finalizávamos a redação deste artigo quando se colocava em marcha, na Câmara dos Deputados, o início do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Merece nosso integral repúdio a iniciativa do deputado Eduardo Cunha, presidente da casa em vias de perder o mandato, de instaurar um processo claramente golpista, sem fundamentação legal e totalmente ilegítimo.

Enxergamos entre os que propõem e acalentam o impeachment os setores mais retrógrados das elites brasileiras, derrotados na eleição de 2014 e que, interessados em destruir direitos trabalhistas e conquistas democráticas da nossa sociedade, chegam a flertar com o fascismo.

Portanto, nossas críticas ao governo não nos impedem de repelir o golpismo espúrio que ameaça os avanços democráticos. Não ao golpe! Fora Cunha!

Márcio Sotelo Felippe
Pedro Estevam da Rocha Pomar
José Luiz Del Roio

p/COMITÊ PAULISTA PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - CPMVJ
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Endereço para correspondência: Rua Maria Paula, 122, 7º andar, cjtº 706 Bela Vista, São Paulo (SP) –CEP 01.319-907 Fone: 3115-2510 e 3242-2406 e-mail: comite.mvj.sp@gmail.com

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

VOLTA À DITADURA, NÃO!



COMITÊ PAULISTA PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA

As forças da elite brasileira de sempre conspiram contra qualquer avanço social e a abertura de espaços democráticos. Anteontem, escravistas; ontem, apoiadores da Ditadura Militar; hoje, mais uma vez atacam conquistas e direitos da população e tramam o retrocesso, na forma de uma espúria tentativa de impeachment. 

Muitos de nós, já alquebrados no físico, mas não no espírito, lutamos contra as barbaridades da Ditadura Militar implantada em 1964. Outros, mais jovens, combateram pela construção de um estado democrático que, pelo menos, diminuísse o abismo socioeconômico existente entre os brasileiros. 

Temos críticas severas ao segundo governo da presidenta Dilma Rousseff, tais como o ajuste fiscal que pesa sobre os ombros do nosso sofrido povo e o não encaminhamento das resoluções, aprovadas há um ano, pela Comissão Nacional da Verdade. 

Mas não nos esquecemos de que ela foi uma jovem e corajosa mulher que tudo arriscou e que foi presa e torturada por querer e lutar por um Brasil mais justo quando muitos, mergulhados no oportunismo e na alienação, buscavam a concretização de seus interesses egoístas. 

Sobretudo, não aceitamos que uma Presidenta eleita pela maioria dos brasileiros, em uma árdua e limpa peleja, seja ameaçada no seu cargo por achacadores e por uma imprensa antinacional. 

Apelamos aos movimentos sociais, sindicatos, partidos, igrejas, às mulheres e homens que amam nosso Brasil, para que se encontrem, conversem, discutam e se transformem em tantos afluentes que desaguem como torrentes impetuosas que percorram as praças e ruas das nossas cidades. 

Pensamos, neste momento, nos adolescentes do Estado de São Paulo que ocupam o espaço físico de suas escolas públicas, lutando contra a destruição do ensino, ansiando por mais saber, para servir à sua nação com dignidade. O golpe tramado pela elite e em curso no parlamento é contra eles, também; contra suas esperanças. 

O golpe não passará! O impeachment será rechaçado! O futuro nos pertence! 

Anivaldo Padilha 
Cesar Cordaro 
Denise Santana Fon 
José Luiz Del Roio 

p/COMITÊ PAULISTA PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - CPMVJ
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SEM DIALOGAR RESTA OCUPAR!


O direito de ocupar escolas, exercido por alunos no Estado de São Paulo, surge do absoluto descaso do governador Geraldo Alckmin com a educação. Há décadas, ele e seus pares estão no Palácio dos Bandeirantes administrando o Estado e deixando de lado a necessária preocupação com a prática da cidadania e da convivência democrática no ambiente escolar. O comunicado de que escolas serão fechadas e que haverá uma “reorganização” na educação a partir de 2016 sem qualquer consulta junto à comunidade comprova mais uma vez isso.

Sem dialogar resta ocupar!

Apresentamos algumas informações para que tal direito se efetive:

1. Realização de assembleias. Antes de decidir pela ocupação é preciso consultar os(as) alunos(as) e demais interessados a fim de conscientizar a todos(as) sobre a ação. Se houver necessidade, promova convocação por meio de cartazes, panfletos, etc. Será nessa reunião que todos avaliarão as diretrizes do movimento e decidirão sobre os atos a serem praticados. As decisões necessitam de uma comunicação interna eficiente para que todos(as) que estão na ocupação tenham conhecimento de suas funções, responsabilidades e encaminhamentos. Ao final de cada assembleia, realize o registro de tudo que foi decidido (elabore ata para cada assembleia realizada contendo data, hora, decisões e fatos importantes).
 
2. Comissões e Atividades. É importante que haja organização e desenvolvimento de atividades. Por isso, é possível que sejam formadas comissões a fim de realizar todas as tarefas e promover ações, tais como: debates, intervenções, passeatas, apresentação artística, etc. Tais atos fortalecem o movimento e podem contagiar a comunidade, o que fortalece as reivindicações dos que ocupam.
 
3. Segurança. Ela é fundamental e precisa ser prioridade tendo como objetivo resguardar o patrimônio público bem como a integridade física dos estudantes e participantes através do controle de entrada e saída de pessoas. É importante que os alunos tenham seus documentos de identificação (RG, por exemplo) e, ainda, a ciência de que qualquer ação da polícia militar ou da justiça só poderá ser efetivada com a presença do Conselho Tutelar. Recomenda-se: que não sejam promovidas ações individuais; que respeitem a atuação de entidades e órgãos envolvidos; que promova diálogo com todos, especialmente pais, professores e policiais; que não assinem nenhum documento sem que haja certeza de que o teor corresponda à verdade.
 
4. Não aceite provocação. É necessário estar atento a provocações de pessoas contrárias à realização da ocupação ignorando-as. Essa é uma conhecida estratégia que busca com isso criar conflitos fazendo com que o movimento perca força e seja apontado como violento.

5. Limpeza. Todos precisam se responsabilizar pela limpeza para que se resguarde, inequivocamente, o ideal de defender a escola e o patrimônio público.

6. Alimentação. Ela precisa ser garantida por um grupo específico que necessariamente irá avaliar a estrutura existente na escola para esse fim. No caso de escolas em que a cozinha esteja trancada ou que tenha o acesso interditado os ocupantes podem solicitar doações aos pais e à comunidade.

 7. Apoio. Para que a resistência se fortaleça e aumente é preciso buscar apoio de ONGs, Associações, Coletivos, professores, pais e da comunidade. O suporte jurídico e médico é fundamental e precisa se fazer presente no local.
 
8. Meios de Comunicação. Diante da absoluta falta de democracia dos meios de comunicação de massa, que tem como prática distorcer informações sobre o movimento, é importantíssimo que seja formado um grupo de estudantes responsável por registrar todos os acontecimentos através de fotos e vídeos para serem compartilhados na internet, especialmente nas redes sociais, para que a sociedade seja informada dos fatos. 

Encaminhem informações para a página do Coletivo Advogados para a Democracia (www.coade.net.br ) no Facebook ou pelo e-mail coadesp@gmail.com .