quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O NECESSÁRIO RESPEITO À DIVERSIDADE



Os Advogados para a Democracia estarão presentes, nesta sexta-feira, no evento Tributo à Diversidade da Alma. Trata-se de um ciclo de palestras que irá fomentar a reflexão acerca de grupos esquecidos, discriminados e tratados como invisíveis  pela sociedade.

Entendemos que a iniciativa é fundamental para que a resistência diante da intolerância se fortaleça bem como a percepção de que o convívio em sociedade exige a assunção da pluralidade sem qualquer forma de aprisionamento ou constrangimento.

Qualquer agrupamento que se reconheça na condição humana, precisa perceber o diverso para poder praticar o entendimento e o respeito recíprocos fortalecendo a democracia.

Confira, abaixo, a programação do evento:

“Tributo à Diversidade da Alma”
Em Comemoração ao Dia da Visibilidade Lésbica
Data: 30.8.2013
Local: Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, nº 94, próximo ao Metrô Anhangabaú.


9h00 – Credenciamento

Mesa Trabalho: Emprego/Desemprego, Assédio Moral, Discriminação no Trabalho.
- Deputada Leci Brandão
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP

 - Dra. Cláudia Patricia de Luna
ONG Elas por Elas – Vozes e Ações das Mulheres

- Maria Rosani Gregoruti A. Hashizumi
Diretora da Secretaria das Relações Sindicais e Sociais do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região.

Mesa Saúde: Direito ao Corpo, Atendimento Médico, Transgenitalização.
- Kátia Maria Barreto Souto
Coordenação-Geral de Apoio à Gestão Participativa e Controle Social – Ministério da Saúde.

- Valéria Melki Busin
Católicas pelo Direito de Decidir

 - Marcia Regina Galvão
Psicopedagoga e Escritora, autora do Livro “Mentes que Aprendem”.

- Janaína Leslão Garcia
Conselheira do Conselho Regional de Psicologia – CRP-SP.

Mesa Sustentabilidade: Direitos dos Animais à Vida e à Proteção e Meio Ambiente.

- George Guimarães
Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade - VEDDAS.

 - Márcio Moreira
Responsabilidade Social da Empresa Surya Brasil

Intervalo para Almoço (livre).

 Lançamento da Campanha “Olhos de Ver e Direitos de Sentir”

- Dra. Iolanda Mendonça
Projeto “Freedom by the Law”

Mesa Discriminação: Novas Famílias, Depoimentos das Comunidades, Homofobia.  

- Dra. Maria Cristina Reali Esposito
Conselheira de Desenvolvimento Sustentável do Município de São Paulo e Professora ESA Especialista em Direito Homoafetivo.

Depoimentos das Comunidades: Imigrante, Nordestina, Deficiente, Anã, Transexual, Cigana, Moradora de Rua, Presidiária, Idosa, Assexuada, Intersexo, Lésbica, Quilombola, Autista, Síndrome de Dow, sobrevivente da Ditadura, Indiana, Latina Americana, Caribenha, Africana, Afegã, Plus Size, Croiss Dressing, Doenças Raras, Negra, Índia, Oriental e Judia.

- Dra. Tatiana Lionço
Doutora em Psicologia, atualmente docente de graduação e mestrado em Psicologia no Centro Universitário de Brasília – UniCEUB, trabalha com ênfase em Direitos Humanos e Direitos Sexuais e Reprodutivos.

 Sorteio de brindes.
17h30 – Encerramento

sábado, 24 de agosto de 2013

BARBOSA E A DIFICULDADE DE ENTENDER O CARGO QUE OCUPA



O Coletivo Advogados para a Democracia (COADE), Associação em defesa dos Direitos Humanos, vem a público manifestar repúdio acerca de mais um episódio lamentável protagonizado pelo Presidente da mais alta corte do Judiciário brasileiro (STF), Joaquim Barbosa, na sessão do dia 15 de agosto, quando dos julgamentos de embargos declaratórios na Ação Penal nº 470, conhecida como “Mensalão”.
Inconformado com a opinião de um colega de Tribunal, Barbosa, alterou a voz e de forma ofensiva afirmou que o colega faz “chicanas”. Além de um tratamento inadequado, ficou clara a postura de negar a prática fundamental ao debate e ao contraditório necessários ao Estado Democrático de Direito revelando o despreparo e o perfil autoritário do ministro. Manifestação digna dos tribunais militares onde todos devem se submeter diante da opinião autoritária daquele que conduz os trabalhos.
Tal atitude agride o princípio da urbanidade obrigatório ao magistrado bem como o dever de cortesia com seus pares.
A independência dos magistrados é condição sine qua non para a livre convicção, não podendo existir agressão por um colega, da mesma Corte, que divirja do entendimento do outro.
A divergência é saudável e fundamental desde que realizada respeitosamente.
Trata-se de uma clara manifestação de desprezo a opiniões diversas devendo ser rechaçada em defesa da jovem e, ainda, falha democracia que temos.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

NOTA OFICIAL: CARANDIRU

 

Após uma espera de quase 21 anos, na madrugada do último sábado (03/08), foram condenados 25 policiais do batalhão de choque da Policia Militar do Estado de São Paulo conhecido como Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

Os réus receberam ao todo uma pena de 624 anos de prisão pela morte de 52 detentos do terceiro pavilhão do presidio do Carandiru, em 2 de outubro de 1992.

Entendemos que o fato é relevante para que, efetivamente, a Justiça brasileira inicie o devido enfrentamento diante da violência policial acabando com a impunidade que historicamente é registrada em nosso país. Além disso e apesar da demora, foi garantida a justiça para os sobreviventes, as vítimas e suas famílias.

Ao mesmo tempo é impossível não notar que certamente faltou alguém no banco dos réus: o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, já que claramente foi ele quem deu a ordem final para que policiais altamente armados atacassem e matassem covardemente civis encarcerados e desarmados.

A condenação dos policiais que apertaram o gatilho é apropriada já que agiram em cumprimento de ordem manifestamente ilegal mas seria muito apropriada também a condenação do ex-governador Fleury, com a aplicação da "teoria do domínio do fato". Ironicamente no julgamento denominado "mensalão" houve uma verdadeira ginástica jurídica especialmente por parte do atual presidente do STF para aplicá-la. Atitude criticada pelo jurista alemão, Claus Roxin, autor da teoria usada pelos ministros. 

Os Advogados para a Democracia entendem que o massacre do Carandiru é um fato que reforça a necessidade de modificar a política de segurança pública vigente no Brasil se desmilitarizando a polícia, fazendo com que ela se humanize e tenha como foco apenas a defesa do cidadão.


COADE - COLETIVO ADVOGADOS PARA A DEMOCRACIA
                      

domingo, 4 de agosto de 2013

MANIFESTANTES SEGUEM ACAMPADOS EM FRENTE À SEDE DO GOVERNO DE SÃO PAULO



Na noite da última sexta-feira, após a realização do protesto contra os governadores paulista, Geraldo Alckmin (PSDB) e carioca, Sérgio Cabral (PMDB), um grupo de cidadãos acampou em frente ao portão 2 do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. 

O grupo permanece no local e o COADE esteve neste domingo conversando com os manifestantes.

Inicialmente foi possível verificar o cenário comum a um governo que não tem como proposta o diálogo com a sociedade. De um lado da rua, a entrada do Palácio sob especial vigilância e do outro cidadãos exercendo a cidadania. Além de policiais e viaturas que são perceptíveis facilmente, um dos acampados nos aponta um policial escondido no jardim interno da sede do governo filmando as movimentações do grupo.

Cerca de 30 acampados conversaram conosco. Disseram que na pauta das reivindicações estão: a luta pelo esclarecimento do desaparecimento do pedreiro carioca Amarildo de Souza; a desmilitarização da polícia, a realização de uma CPI dos transportes, o fim do genocídio da juventude negra e a exigência de uma educação digna.

A falta de diálogo por parte do poder público e a violência dos policiais também são graves problemas apontados por todos.

Ao serem questionados se o grupo tem um líder, afirmam que não. Dizem que são do povo e que se conheceram através da internet em redes sociais e também nas ruas durante outras manifestações. Eles afirmam que não há prazo para deixar o local e brincam que talvez fiquem até o natal. Eles possuem mantimentos para alimentação além de barracas e lona para se protegerem da chuva e do frio.

Os Advogados para a Democracia apoiam a manifestação legítima bem como a sua pauta. A rua é espaço público e como tal deve ser encarado por cidadãos e pelo governo constituído em um Estado Democrático de Direito.

Imagens do local:

 
 
 
 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO



Os Advogados para a Democracia apoiam as manifestações ocorridas em diversos Estados do país no dia 11/07 pela democratização dos meios de comunicação.

Chamado de o 1º Grande Ato Contra o Monopólio na Mídia levou milhares de cidadãos às portas da TV Globo que reivindicavam o fim do monopólio praticado pela emissora.

Participamos dessa luta há anos através de cursos, debates com a sociedade civil e na defesa de ativistas digitais (em blogs, twitter, facebook, etc) que se manifestam contra essa situação e acabam sofrendo alguma forma de ameaça e/ou censura. 

Entendemos que é urgente a regulamentação dos artigos 220 ao 224 da Constituição Federal bem como a, efetiva, existência do Conselho de Comunicação Social.

Se você sofre violência na simples tentativa do exercício do direito de querer se comunicar, denuncie!

Confira a cobertura realizada pela Nauweb.tv da manifestação em São Paulo.

sábado, 29 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES: O QUE O JUDICIÁRIO TEM COM ISSO?


Essa é uma luta que passa pela reformulação do modelo estrutural do Judiciário, altamente rígido e hierárquico   

Por Marjorie Marona, na Carta Capital

Os protestos que vêm eclodindo em todo o Brasil nas últimas semanas têm o mérito (com um empurrãozinho da grande mídia, ávida por pautá-los) de trazer inúmeros temas para a esfera pública. A grande mídia insiste em centrar imagens e falas em torno de pautas genéricas e rótulos vazios – “sem partidos”, “não à corrupção”, “fora Copa”, dentre outros. No entanto, quem esteve em pelo menos uma dessas manifestações pode testemunhar uma espécie de “feira de propostas”, muito mais amplas e difusas.

Com seus vários cartazes, individualmente ou em pequenos grupos, manifestantes pediam, sim, mais investimento em educação e saúde; bradavam, sim, por reforma política e um controle mais rigoroso da corrupção. Mas não só. Diversos movimentos sociais - que desde os primeiros protestos marcaram presença, organizados sob faixas e bandeiras - apresentaram suas propostas: liberdade sexual, direito ao próprio corpo, ações afirmativas, demarcação de terras indígenas e quilombolas, além, é claro, da mobilidade urbana (onde tudo começou).

Entretanto, nem todos os temas chegaram a conformar a agenda política que resultou dessa onda de manifestações. A presidenta Dilma Rousseff, em dois pronunciamentos, reafirmou a agenda distributiva do Partido dos Trabalhadores (PT). Em um primeiro momento, recolocou propostas que o governo tem tido dificuldades de aprovar no âmbito do Congresso Nacional, invertendo estrategicamente os custos políticos das manifestações nas ruas. Reafirmou a importância do projeto de lei que previa a destinação de 100% dos recursos do petróleo para a educação e a importância de contar com médicos vindos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde. Inovou ao propor um Plano Nacional de Mobilidade Urbana, articulando os governos federal, dos estados e prefeituras.

Em um segundo momento, reafirmou a disposição que o então presidente Luiz Inácio Lula da Siva havia demonstrado em 2009 ao encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei que tornava a corrupção dolosa crime hediondo e, talvez no ápice da ousadia, propôs um plebiscito para convocação de uma assembleia constituinte exclusiva pela reforma política.
A tradição democrática do Partido dos Trabalhadores se reafirmava, então, pela retomada de uma proposta que José Genoino havia apresentado ainda em 2008 na Câmara dos Deputados.

Os dois pronunciamentos fizeram muito bem aos ouvidos de esquerda. Não só porque há muito tempo não se via o PT falar como PT, mas também porque a presidenta foi capaz de conter (pelo menos por enquanto) os avanços conservadores da oposição que, articulada pela grande mídia, visava à desestabilização do governo pela reinterpretação das manifestações nas ruas.

Mas é preciso ter clareza também acerca do que não avançamos. E não avançamos uma linha no campo das demandas por reconhecimento.

Não por acaso, a presidenta não dirigiu uma palavra acerca de diversas demandas que, na carona dos reclames por mobilidade, exigiam um posicionamento do governo acerca de projetos de lei que enfrentam de modo conservador às lutas por reconhecimento, seja no campo da liberdade/diversidade sexual ou no que toca ao direito ao próprio corpo, afirmado pelo movimento feminista.

Não por acaso, a presidenta não dirigiu uma palavra acerca das ações afirmativas de enfrentamento das desigualdades raciais, tais como o projeto de lei que prevê cotas para negros/as em concursos públicos.

Não por acaso, a presidenta não dirigiu uma palavra acerca da demarcação das terras indígenas e demais direitos sonegados às comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais.

Se a presidenta politizou o debate do campo das políticas distributivas, tomou o rumo contrário no que toca às políticas pautadas em uma agenda de reconhecimento. Mas por quê? Seria, nesse tocante, a esquerda tão conservadora quanto a direita? Não parece essa uma hipótese acertada se considerarmos a ampliação das estruturas e dos espaços institucionais destinados à conformação desse tipo de política. Basta que se observe que a Presidência da República é constituída, desde 2003, dentre outras, por uma Secretaria-Geral que tem como principal atribuição intermediar as relações do governo federal com as entidades da sociedade civil, por uma Secretaria de Políticas para as Mulheres, por uma Secretaria de Direitos Humanos e por uma Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Isso sem mencionar as conferências nacionais - talvez a mais abrangente política participativa no Brasil, atualmente - que contam com mais de vinte espaços referenciados a direitos de minorias.

Mas então por quê?

Arriscaria a hipótese de que os custos políticos (eleitorais) ligados à defesa de demandas dessa natureza seguem altos, mesmo para um governo que nos últimos dias sinalizou uma inflexão (maior) à esquerda. Nesse contexto, o sistema de justiça de um modo geral, o Judiciário especialmente, e, mais pontualmente, o Supremo Tribunal Federal - pelo exercício quase exclusivo do controle de constitucionalidade das leis e atos normativos – reafirma o seu protagonismo no processo de ampliação do acesso à justiça pela via dos direitos.

Na verdade, boa parte daquelas questões, de algum modo, já passou pelo crivo dos ministros da mais alta corte do país – demarcação de terras indígenas, células-tronco embrionárias, aborto em caso anencefalia, cotas raciais nas universidades – e outras tantas pelo juízo de outros magistrados, especialmente às questões referentes ao casamento homoafetivo e as lutas quilombolas pela terra/território. Mas aí a luta não é menos árdua. Houve avanços em alguns pontos; entretanto, na maioria dos casos, o Judiciário simplesmente mostrou-se despreparado para processar essas demandas, que afrontam a lógica liberal em que assenta o judiciário em particular, e o sistema formal de justiça em geral.

O fato é que, se é pra lá que os movimentos sociais devem continuar dirigindo suas demandas, é bom que incluam na sua pauta uma demanda em particular, que lhes deve ser transversal: a da ampliação e democratização do acesso ao sistema formal de justiça.

Essa é uma luta que passa pela reformulação do modelo estrutural do Judiciário em particular, altamente rígido e hierárquico, mas também das Defensorias e do Ministério Público; pela reformulação do processo de capacitação de seus membros (juízes, defensores e promotores) para realidades plurais, diversas e multiculturais; e pela reformulação do atual processo seletivo que, fundado em uma lógica meritocrática e altamente dogmatizado, induz um perfil de operadores que não espelha a diversidade de conhecimentos e experiências da sociedade brasileira. E esse é só um começo de conversa.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

MOVIMENTOS DE COMUNICAÇÃO MARCAM ATO NA SEDE DA REDE GLOBO EM SÃO PAULO

 

Da Rede Brasil Atual

Movimentos que defendem a democratização dos meios de comunicação realizaram na noite de ontem (25) uma plenária no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para traçar uma estratégia de atuação. A ideia é aproveitar o ambiente de efervescência política para pautar o assunto. Concretamente, cerca de 100 participantes, decidiram realizar uma manifestação diante da sede da Rede Globo na cidade, na próxima quarta-feira (3).

A insatisfação popular em relação à mídia foi marcante nas recentes manifestações populares em São Paulo. Jornalistas de vários veículos de comunicação, em especial da Globo, foram hostilizados durante os protestos. No caso mais grave, um carro da rede Record, adaptado para ser usado como estúdio, foi incendiado.

Na plenária de ontem, o professor de gestão de políticas públicas da Universidade de São Paulo, Pablo Ortellado, avaliou que os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, a revista Veja e a própria Globo, por meio de editoriais, incentivaram o uso da violência para reprimir os manifestantes. Mas em seguida passaram a colaborar para dispersar a pauta de reivindicações que originaram a onda de protestos, ao incentivar a adoção de bandeiras exteriores à proposta do MPL – até então restrita à revogação do aumento das tarifas de ônibus, trens e metrô de R$ 3 para R$ 3,20.

Os movimentos sociais, no entanto, ainda buscam uma agenda de pautas concretas para atender a diversas demandas, que incluem a democratização das concessões públicas de rádio e TV, liberdade de expressão e acesso irrestrito à internet.

“Devíamos beber da experiência do MPL (Movimento Passe Livre) aqui em São Paulo, que além de ter uma meta geral, o passe livre, conseguiu mover a conjuntura claramente R$ 0,20 para a esquerda”, exemplificou Pedro Ekman, coordenador do Coletivo Intervozes. “A gente tem que achar os 20 centavos da comunicação. Achar uma pauta concreta que obrigue o governo federal a tomar uma decisão à esquerda e não mais uma decisão de conciliação com o poder midiático que sempre moveu o poder nesse país”, defendeu.

"A questão é urgente. Todos os avanços democráticos estão sendo brecadas pelo poder da mídia, que tem feito todos os esforços para impedir as reformas progressistas e para impor uma agenda conservadora, de retrocesso e perda de direitos", afirmou Igor Felipe, da coordenação de comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A avaliação é que apesar de outras conquistas sociais, não houve avanços na questão da democratização da mídia. "Nós temos dez anos de um processo que resolveu não enfrentar essa pauta. Nós temos um ministro que é advogado das empresas de comunicação do ponto de vista do enfrentamento do debate público", disse Ekman, referindo-se a Paulo Bernardo, da Comunicação.

Bernardo é criticado por ter, entre outras coisas, se posicionado contra mecanismos de controle social da mídia. "Eu não tenho dúvida que tudo isso passa pela saída dele. Fora, Paulo Bernardo!", enfatizou Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e coordenador do programa Praças Digitais da prefeitura de São Paulo.

Amadeu acusa o ministro de estar "fazendo o jogo das operadoras que querem controlar a Internet" e trabalhar para impedir a aprovação do atual texto do Marco Civil do setor. "Temos uma tarefa. Lutar sim, para junto dessa linha da reforma política colocar a democratização", afirmou.

Rosane Bertotti, secretária nacional de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, enfatizou a importância da campanha de coleta de assinaturas para a proposta de iniciativa popular de uma nova lei geral de comunicação.

O projeto trata da regulamentação da radiodifusão e pretende garantir mais pluralidade nos conteúdos, transparência nos processos de concessão e evitar os monopólios. "Vamos levá-lo para as ruas e recolher 1,6 milhão de assinaturas. Esse projeto não vem de quem tem de fazer – o governo brasileiro e o Congresso –, mas virá da mão do povo", disse.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

OS PROTESTOS NO BRASIL

 
Por Sérgio Sérvulo da Cunha

É tão difícil, agora, prever a dimensão e evolução dos acontecimentos, quanto era, há um mês, prever a eclosão desses protestos.

Engana-se quem espere, da suspensão dos aumentos, o fim dessa erupção vulcânica. Engana-se qualquer autoridade, seja da Casa Civil do Planalto, seja da Prefeitura de São Paulo, que fale em desoneração de tributos incidentes sobre a prestação desses serviços, ou que fale em exibição de planilhas por parte das empresas permissionárias de transporte: o transporte urbano não pode ser fonte de lucro. 
 
Mas também se engana quem pretenda reduzir, a amplitude desse movimento, a reivindicações tópicas. Em todos esses casos patenteia-se a falta de sensores capazes de medir o nível da insatisfação popular. 
 
Não seria atestado de sensibilidade supor que o problema está, tão somente, na falta de uma política pública de transportes (todos sabemos que as empresas de transporte estão entre os principais financiadores das campanhas eleitorais de vereadores e prefeitos). 
 
Onde escrevi “insatisfação”, poderia ter escrito “sofrimento”. Mas, a partir de uma tradição elitista, nos acostumamos a crer que a paciência popular não tem limites. Um movimento aparentemente sem lideranças, abraçando o mote das tarifas, provocou esse transbordamento difícil de conter, face ao qual emergem algumas certezas.

A Constituição diz, é verdade, que todo poder emana do povo, e será por ele exercido, diretamente ou por meio de representantes. Contudo, quando aí se escreve “diretamente”, não se está pensando em comícios populares, mas nos instrumentos da democracia direta: o plebiscito, o referendo, o recall, etc. Fora desses casos, é com o poder constituinte que se exerce diretamente a soberania popular: promulgada a Constituição, o povo passa a atuar politicamente mediante os canais que para isso reservou: partidos e representantes eleitos. 
 
A atual conjuntura, a cujas preliminares assistimos, é revolucionária porque, indo às ruas, o povo mostra a distância que se pôs entre ele e as instituições. Durante a ditadura dizia-se que era preciso franquear o abismo entre o povo e o governo. E isso continua acontecendo; o povo protesta nas ruas porque não encontra, seja nas agremiações políticas, seja nos órgãos de representação, quem ouça e repercuta sua voz. Pelas mãos de seus proprietários, faliram os partidos; e, com eles, a representação: é a si mesma, a seus interesses, e aos interesses dos seus financiadores, que a classe política atualmente representa. Beneficiária desse sistema, ela não permite que se faça o indispensável: a reforma que transforme os partidos em canais autênticos da representação, e que propicie, aos parlamentares, a independência que perderam. 
 
Por enquanto, alguns sinais de que podemos nos orgulhar: o poder de mobilização das redes sociais; a vitória, sobre a violência, de um pacifismo tão pugnaz quanto lúcido; a derrota do individualismo quotidiano, frente à solidariedade e ao altruísmo. Em ano pré-eleitoral, o povo passa a ditar a agenda política, e sublinha o primado do seu protagonismo.

Sérgio Sérvulo da Cunha é advogado e filósofo. Autor de várias obras e artigos jurídicos,  foi Procurador do Estado de São Paulo, Chefe de Gabinete do Ministério da Justiça do Dr. Márcio Thomaz Bastos, além de Professor de Direito Constitucional e Vice-prefeito do Município de Santos – sua cidade natal.

sábado, 22 de junho de 2013

CAMPANHA DESEDUCADOSP. PARTICIPE!

 
O Coletivo Advogados para a Democracia inicia a campanha DESEDUCADOSP que busca mostrar a triste, alarmante e caótica situação da educação pública no Estado de São Paulo.

Com tal iniciativa, o grupo de estudos do Coletivo voltado para o tema Educação pretende mostrar a realidade das escolas e/ou universidades públicas do Estado e colaborar com a mudanças recebendo denúncias de alunos, pais, professores, coordenadores, diretores e funcionários em geral.

Se você possui fotos, filmagens, áudios e/ou documentos que comprovem essas situações envie para o e-mail advdemocracia@gmail.com  relatando, ainda que resumidamente, os fatos (assédio moral, violências, problemas na infraestrutura, equipamentos, falta de professores, desperdícios, etc.) colocando o nome, o cargo que ocupa (se for funcionário), a data e o nome da escola e/ou universidade.

Tais denúncias serão devidamente apuradas, divulgadas e encaminhadas ao órgão responsável.

O nome do(a) denunciante será preservado sendo publicado somente a data e o nome da escola e/ou universidade junto ao material enviado.

Apenas com a conscientização e a participação coletiva da sociedade será possível mudarmos a realidade que temos.

À luta!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

TARIFA REVOGADA!



Na tarde de hoje, São Paulo e Rio de Janeiro revogaram os aumentos das passagens do transporte público.

Após seis atos de protestos por todo o país, a mobilização popular surtiu efeito e deixou evidenciado que é possível participar das decisões daqueles que nos representam no poder institucional com articulação cidadã.
 
Não há razão para esperar pela boa vontade de nossos representantes. É preciso mostrar a eles que os cidadãos possuem capacidade e força para lutar por seus direitos.

A mobilização popular colocou o status quo contra a parede e o forçou a recuar. A vitória de hoje se deve aos milhares de brasileiros que se propuseram a ir às ruas enfrentando a violência policial, a ideologia vigente com os meios de comunicação de massa e os infiltrados no Movimento para desqualificá-lo. Todos sentem o gosto amargo da derrota.

Entendemos que é urgente a revisão do Estado repressor e do sistema desumano em que a sociedade brasileira se encontra.

O diálogo precisa ser, efetivamente, socializado em busca de articulações cabíveis para que surja uma pauta social de mudanças.

Comemoramos a vitória mas sem perder de vista o longo caminho que devemos percorrer na busca de uma nação progressista, focada nos interesses dos cidadãos e no respeito ao ser humano.

Seguimos na luta!